quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pisar o Risco

Depois de ler Pisar o Risco de Salman Rushdie, deixo aqui alguns pensamentos e frases do autor:

- "(...) E é verdade que a história humana transborda de opressão colectiva exercida pelos cocheiros dos deuses. E todavia, no entender das pessoas religiosas, o conforto individual que a religião confere compensa que suficientemente o mal feito em seu nome."

-"(...) é o próprio absurdo das versões religiosas que incita os seus adeptos a reiterarem com uma crescente estridência a necessidade de uma fé cega."

- "A libertação intelectual na Europa, significou sobretudo a emancipação frente ás imposições da Igreja, e não do Estado."

- "A história dos versiculos satânicos, diz-nos que em certa ocasião, o Profeta foi confrontado com alguns versículos que pareciam aceitar a divindade das 3 deusas pagãs mais populares de Meca, comprometendo desse modo o monoteísmo rígido do Islão. Mais tarde, o Profeta rejeitaria esses versículos como um embuste do diabo, dizendo que Satã lhe aparecera disfarçado de Arcanjo Gabriel e lhe recitara os seus Versículos Satãnicos."

- "Para o fundamentalismo religioso, e sobretudo, na actualidade, para o fundamentalismo islâmico, o adjectivo «laico» é a mais suja das palavras sujas."

- "Os laicistas sabem que um Estado-nação moderno não pode ser construído na base de ideias que surgiram no deserto da Arábia há mais de 1300 anos."

- "Os fundamentalistas declaram sempre que é a simplicidade que procuram, mas a verdade é que são obscurantistas em tudo. O que é simples é aceitar que se alguém pode dizer:«Deus existe», outra pessoa pode dizer: «Deus não existe». O que nada tem de simples é exigirem-nos que acreditamos que há só uma verdade, só uma maneira de exprimir essa verdade, e só um castigo -a morte- para os que entenderem que não é assim."

- "Os líderes europeus honram em palavras os ideias das Luzes - liberdade de expressão, direitos humanos, separação da Igreja e o Estado. Mas quando estes ideais batem na banalidade poderosa daquilo a que se chama «realidade»-negócios, dinheiro, armas, poder- estão prontos a deixar cair a liberdade."

- "Os Hitlers da história podem ter caído, mas a cadela que os pariu está outra vez com o cio."

- "O conhecimento humano imperfeito talvez seja uma estrada acidentada, cheia de buracos, mas é o único caminho de conhecimento digno de ser tomado."

- "Definição moderna de democracia: Um homem, um suborno"

- "O exílio é o sonho de um regresso glorioso."

- "A perseguição religiosa nunca é uma questão moral, mas sempre uma questão de poder."

- "A habituação é a rendição."

- "É do proprio medo que devemos ter medo" (F. Roosevelt)

- "A viagem cria-nos."

- " O Santo Graal é uma quimera. O Santo Graal é a própria demanda pelo Santo Graal."

domingo, 5 de julho de 2009

Salman Rushdie: Abril de 1999: MÚSICA ROCK

"Há pouco tempo perguntei a Vaclav Havel se admirava de facto Lou Reed. Ele replicou que era impossivel sobrestimar a importância da música rock para a resistência checa durante os anos de trevas que passaram entre a Primavera de Praga e o colapso do regime comunista. Eu começava a saborear a imagem mental dos líderes do underground checo acertando o passo ao ritmo de Velvet Underground, quando Havel acrescentou com o ar mais sério do mundo: "Porque é que achas que falámos de Revolução de Veludo?"(...) Tratava-se de uma brincadeira que escondia uma verdade mais literal- para os entusiastas da música popular de uma certa classe de idade as ideias de rock e de revolução são ideias indissoluvelmente ligadas. "Vocês dizem que querem uma revolução" dizia John Lennon, provocando-nos. "Bem como sabem/ todos nós queremos mudar o mundo". E a verdade é que com o passar dos anos comecei a pensar que essa associação era um pouco mais simples que simples romantismo juvenil. Por isso, descobrir que uma verdadeira revolução fora inspirada pelos rugidos de sedução do rock era realmente comovente. Fazia-me sentir uma espécie de validação.( Salman soube que Havel não estava a brincar, ele dissera exactamente a mesma coisa anos mais tarde a Lou Reed).

Hoje que já ninguém parte guitarras opu protesta sobre coisa que se veja, hoje que o rock entrou na meia idade e se organizou em associações comerciais, hoje que os mais jovens ouvem rap, trance e hip-hop, e Bob Dylan e Aretha Franklin são convidados a cantar nas investiduras presidenciais, esquecem-se com facilidade as origens oposicionais da forma, a sua carga anti-establishment de outrora. Todavia, o espirito de revolta, rude e seguro de si do rock talvez seja uma das razões que fez com que o seu som estranho, simples e imparável tenha conquistado o mundo à cerca de meio século, atravessando todas as fronteiras e todas as barreiras da língua e da cultura, acabando por se tornar o terceiro fenómeno global da história, a seguir ás guerras mundiais. Era o som da libertação e falava, por isso, aos jovens espiritos livres de toda a parte- o que, como é evidente, as nossas mães não apreciavam por aí além.

(...)

O que parecia ser e sentíamos como liberdade parecia ao mundo adulto qualquer coisa como mau comportamento, e em certo sentido, os dois lados estavam certos. (...) A liberdade, essa antiga anarquia que bate o pé, é um valor mais alto e mais bravio que o bom comportamento,e , apesar de todo o seu espirito de revolta hirsuta da madrugada, representa um risco muito menor de desembocar em devastações graves que a obediência cega e o respeito hirto perante as convenções. É preferivel a destruição de umas tantas suites de hotel à destruição do mundo.

(...) Existe em nós qualquer coisa que se limita a desejar seguir a multidão. (...)Mas nós continuamos a querer ser conduzidos, a seguir senhores da guerra mesquinhos e ayatollahs assassinos e dirigentes nacionalistas brutais, ou a chupar no dedo escutando docilmente os Estados-infantário que sabem melhor do que nós o que nos convém. É por isso que os tiranos abundam, e que até mesmo aqueles de entre nós que fazem parte de países idealmente livres deixaram de ser, na sua maioria, espíritos rock n' roll.

A música de liberdade assusta as pessoas e desencadeia toda a espécie de mecanismos de defesa conservadores. (...)

Supunha-se que a queda dos regimes comunistas e a destruição da Cortina de Ferro e do Muro trariam uma nova era de liberdade. Em vez disso, o mundo que veio depois da guerra fria, ainda informe e cheio de possibilidades, fez com que muitos de nós ficássemos cheios de medo. Refugiámo-nos ao abrigo de cortinas de ferro mais pequenas, construímos paliçadas um pouco menos altas, fechámo-nos em definições mais estreitas, cada vez mais fanáticas, de nós próprios- definições religiosas, regionais, étnicas- e começámos a preparar-nos para a guerra.

Hoje, enquanto o ribombar de uma dessas guerras submerge a doçura do canto da melhor parte de nós próprios, descubro em mim a nostalgia do velho espírito de independência e de idealismo que outrora, propagado pela música, nos ajudou a acabar com outra guerra (no Vietname). Mas hoje a única música que ouvimos no ar é a de uma marcha fúnebre."

Salman Rushdie: Abril de 1999: MÚSICA ROCK

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nietzsche

- Os erros dos grandes homens são dignos de elogios, pois são mais frutíferos do que a verdade dos pequenos.

- A moralidade é primordialmente um meio de preservar a comunidade e de evitar a sua destruição.

- O homem é uma ponte e não um fim.

- Compadecer-se é a prática do niilismo.

- O que um padre diz ser verdadeiro é na realidade falso.

- Que é que destrói mais rapidamente do que trabalhar, pensar, sentir, sem prazer?

- O Budismo não promete mas cumpre, o Cristianismo tudo promete e nada cumpre.

- Em Paulo personifica-se o ódio, o génio do ódio, na visão do ódio.

- O Cristão é apenas um judeu de confissão «mais liberal».

Turismo os caminhos

Se entre 2004 e 2007 o turismo global explodiu, com um crescimento médio de 3.6% ao ano, devo a variados factores, entre os mais importantes uma economia mundial estável, preços dos combustíveis baixos, desaparecimento do medo pós 11 de Setembro e crescimento das low-cost, o começo da crise no segundo semestre de 2008 provocou uma descida de 1% no crescimento turistico, com especial afectação nos países desenvolvidos e do BRIC. Isto deveu-se a uma maior dependência do turismo em maior escala por parte destas nações, que têm também um indice de turismo interno elevado, onde o impacto da crise foi menor.

Há casos que ilustram bem o tamanho da crise na indústria, a China que em 2004 tinha ultrapassado a Itália como o quarto país mais visitado do mundo, viu o seu número de visitantes baixar em 7% e as receitas do turismo descer 15%.

Em Espanha no mês de Fevereiro, as chegadas desceram 16%, em relação ao período homólogo do ano anterior.

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo prevê para este ano uma contracção de 3.5% este ano na indústria, com a eliminação de 10 milhões de postos de trabalho até ano ínicio de 2011.

O Turismo é neste momento a maior indústri mundial envolvendo 7.6% dos empregos de todo o mundo e gerando 9.4% do rendimento global, e ainda podemos olhar para as suas ligações a outros sectores da economia, como a construcção, fábricas, petróleo, alimentar, etc...

Em plena crise e por factores específicos da própria indústria, alguns governos começaram a olhar para o turismo como o meio mais eficaz para relançar as suas economias, no periodo pós crise. Se a Islândia depois da bancarrota, tem no turismo a bandeira para reerguer a sua economia, em Espanha serão injectados 1300 milhões de dólares para a modernização das infra-estruturas turísticas espanholas, para combater destinos como a Turquia ou o Egipto que acabaram por se tornar mais apetecíveis devido à valorização do Euro. Nas Canárias, o Conselho Municipal do Turismo iniciou um conjunto de seminários para melhor preparar os trabalhadores da área, e sensibilizá-los para a importância que eles têm para o sucesso turistíco da região.

A Itália está decidida em apostar na publicidade dos seus destinos, os seus alvos são o Canadá, os EUA e a Europa, nos anúncios pode-se ouvir a música clássica e visualizar-se as paisagens e monumentos transalpinos. Pode parecer excessivo para um país forte no sector como a Itália? Então atente-mos no facto de em 2008 o turismo italiano ter registado uma quebra de 5%, perdas de 5200 milhões de dólares e 150 mil empregados.

Depois temos também as perdas das companhias aéreas, que prevêem uma contracção do tráfego de pessoas em 5.7%, com prejuízos que vão até os 4700 milhões de dólares. A esta situação acrescenta-se o facto de o preço do petróleo se achar numa grande instabilidade.

No sudeste asiático, países como o Vietname, Cambodja, Malásia e Tailândia decidiram baixar os preços dos vistos, numa estratégia conjunta com as companhias aéreas, hotéis e demais sítios turisticos, que também se comprumeteram a rever os preços em baixa.

Nas Caraíbas a Elite Islands Resorts, irá aceitar acções desvalorizadas como forma de pagamento.

Na Coreia do Sul a desvalorização do won ajudou a atrair mais 7% de turistas, incluindo mais 50% de turistas do Japão. A Coreia do Sul foi mesmo o país asiático que mais cresceu.

Na China as autoridades locais distribuíram cupões de viagens internas.

Na Grã-Bretanha haverá este ano, mais 5 milhões de turistas internos.

Visto isto será grande o desafio dos agentes turisticos nos próximos tempos, mas também está bem patente que o turismo poderá ser também a boia de salvação para alguns países. Isto porque ao contrário de certas indústrias onde os investimentos requerem um grande esforço financeiro, o Turismo requer menos investimento e a relação custo/proveito, será mais certa do que em noutros ramos.

Quanto aos países desenvolvidos, numa altura em que as familias dispõem de menos meios para viajar, pode ser no "vá para fora cá dentro", que se encontre o caminho mais proveitoso para o negócio. Convencer os turistas a visitar o próprio país, mostrando-lhes que poderam ter umas boas férias e por menos dinheiro. Transformar turistas externos em turistas internos.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nietzsche

Decidi ler a biografia de Nietzsche e uma parte da sua obra acima de tudo porque adoro a sua obra: " O Anticristo", embora a sua restante obra não me diga muito.


Nietzsche além das questões filosóficas tinha também grande interesse por questões musicais, era um enorme admirador da música de Wagner sendo também um grande amigo seu, mais tarde iria chatear-se como Wagner e criticar muito o seu trabalho.


Devido a uma infância complicada não se consegue adaptar à sociedade, algo que lhe iria ser útil mais tarde para a sua obra.


Sendo um aluno brilhante, tinha como autores preferidos Platão, Shakespeare, Byron e Rosseau, no inicio da sua obra a sua maior influência é de Schopenhauer.


Nietzsche abre-se paras a filosofia através de Schopenhauer, fascinado com o seu inquebrável compromisso com a verdade. Nietzsche partilhava com Schopenhauer o pessimismo metafísico, segundo o qual a vontade está sempre em sofrimento devido à insatisfação dos desejos. Segundo o filósofo, a música enquanto arte global era uma das possibilidades de consolar este sofrimento humano.


Durante a sua adolescência Nietzsche começou a sentir problemas de saúde, problemas esses que se iria intensificar a até ao fim da sua vida, impedindo-o de trabalhar nos últimos anos da sua vida, Nietzsche tinha uma saúde débil e sofria de constantes dores de cabeça.


Niezsche foi professor de filologia em Basileia durante dez anos, altura em que frequentava a casa de Wagner que considerava ser um artista global cuja obra extinguiria a decadência que o espirito ocidental tinha sofrido desde o final da Grécia clássica.


A 2 de Maio de 1880 Nietzsche renúncia ao seu lugar de professor na universidade de Basileia, devido ás constantes enxaquecas que já não lhe permitiam leccionar.


Em 1889 finda a sua vida intelectual.


De 1894 a 1900 é sua irmã que toma conta dele, falecendo em 1900.


A sua irmã uma nacionalista anti-semita funda o Nietzsche- archiv, fazendo de Nietzsche o prova de uma nova e grande Alemanha. Esta manipulação da obra de Nietzsche iria culminar com a eleição do partido nazi em 1934 ao poder.


Nietzsche, Wagner e Schopenhauer foram artistas conotados ao partido Nazi, visto Hitler ser admirador destes artistas.


Compreende-se a fácil manipulação da obra de Nietzsche, que defendia que os homens deveriam ser governados por uma grande força ou um grande homem, ele defendia que havia homens fracos e que os mais fortes não deveriam preocupar-se com os outros, não devia haver qualquer tipo de misericórdia ou pena destes.


Quando Nietzsche falava no sentido moral, dizia que para que o individuo molde o seu comportamento ás necessidades da sociedade, pode e deve ser utilizada a coacção, por vezes a voz autoritária da comunidade que ganha a forma de consciência.


Em 1872 pública a Origem da Tragédia, que revela o contraste entre a cultura grega anterior e posterior a Sócrates, menosprezando a última, manifestando que a cultura alemão contemporânea se assemelhava à cultura grega posterior a Sócrates, só podendo ser salva pelo espírito da música de Wagner.


A obra de Nietzsche é riquissima, no entanto passarei à parte que realmente me interessa, o Anticristo.


Nietzsche diz-nos que ao contrário do que se crê, a humanidade não representa uma evolução para algo de melhor, o progresso é uma ideia moderna e falsa, o homem de hoje não vale mais que o homem do renascimento. No entanto em diferentes locais manifesta-se um tipo superior de homem, espécie que em relação à maioria é uma espécie de ultra-homem.


Para Nietzsche o Cristianismo travou uma guerra de morte contra o tipo de homem superior, baniu todos os instintos fundamentais de tal tipo, e desses destilou o mal e o pernicioso, criou do homem forte uma imagem de homem abominável. O Cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo e falhado, ensinou o desprezo pelos valores da intelectualidade.

Nietzsche deixa-nos a questão: Que haveria num Deus que não conhecesse a cólera, a vingança, o castigo, que não ignorasse o gosto da vitória e da destruição? Quando um povo entra em colapso, quando sente a sua fé no futuro fugir, quando sente a liberdade esvair-se, então há que mudar o seu Deus. Torna-se então o Deus sonso, humilde. aconselha a paz da alma e até o amor para com os amigos e inimigos. Moraliza constantemente, faz-se o Deus de toda a gente, chega a tornar-se cosmopolita... Outrora simbolizava a força do povo e a sua sede de poder e afirmação, agora é simplesmente o Deus bom de todos os homens... Vê-se que não os deuses não têm alternativa: ou são a vontade do poder, sendo assim os deuses de um povo, ou são a impotência do poder, e então tornam-se forçosamente bons...

Os judeus são o povo mais singular da História Universal e porquê? Simplesmente porque postos diante da condição do ser ou não ser, eles escolhem o SER A QUALQUER PREÇO, um preço que foi a falsificação de toda a natureza, de toda a naturalidade, de toda a realidade, de todo o mundo interior e exterior. Delimitaram-se a si mesmos contra todas as condições sob as quais até então podia viver, perverteram a religião, o culto, a moral, a história e a psicologia e fizeram deles a contradição dos seus valores naturais. A Igreja Cristã limitou-se a copiar este fenómeno em proporções incalculáveis. Os Judeus falsearam de tal modo a história e a humanidade que ainda hoje um cristão se pode sentir anti-judeu, sem se compreender a si mesmo como a última consequência do judaísmo.

No Anticristo a autor tenta destrinçar algumas das mensagens de Cristo, ou se quisermos dar-nos a sua visão da mensagem de Cristo. Sobre a "Boa Nova", o Nietzsche escreve que a vida eterna, não é prometida, está aqui em nós: como vida no amor, no amor sem retraimento e exclusão, sem distância. Cada um é filho de Deus. " O Reino de Deus está em vós".

Falta em toda a "psicologia" do Evangelho o conceito de culpa e de castigo, igualmente falta o conceito de recompensa. O «pecado», toda a relação de distância entre o homem e Deus, é suprimido. Ai está novamente a "Boa Nova". A beatude não está prometida, não se encontra vinculada ás condições que a Igreja nos instiga, ela é a única realidade.

Podemos então dizer que toda a doutrina eclesiástica judaica foi negada na "Boa Nova".

O "Reino dos Céus" não é algo que se espere, ou que se encontre, não vá amanhã ou dentro de mil anos- é uma experiência dentro de um coração, está em toda a parte e não está lado nenhum...

Quanto a Jesus, Nietzsche segue passando-nos a mensagem que a sua morte não foi para redimir os nossos pecados, a sua morte foi igual à sua vida, ele morreu como ensinara, Jesus apenas nos quis ensinar como deviamos viver. A Prática foi o maior bem que nos deixou: a sua atitude perante os seus juízes, perante os que o ultrajaram, o seu comportamento na cruz, é esta a sua verdadeira lição.

As palavras proferidas ao ladrão na cruz resumem o Evangelho: "- Este é um verdadeiro homem de Deus - diz o ladrão.", " Se sentes isso então estás no paraíso, és também um filho de Deus - responde Jesus.". Não se defender, não se encolerizar...mas também não resistir ao mal- amá-lo...

Após a morte de Jesus, os seus díscipulos ao contrário dos ensinamentos do mestre, subjugaram-se a palavras, como ressentimento, vingança, juízo... O que deveria ter sido o inicio do Evangelho, descambou num sentimento contrário aos ensinamentos de Jesus. Para os seus seguidores era impossível a causa terminar com a morte do Redentor, e a promessa da vinda do "Reino dos Céus", para vingar os assassinos do Mestre e os seus seguidores. É então que o "Reino dos Céus" passa a ser não a realidade, algo ao alcance de todos nós, mas uma promessa, um sonho, um sonho de sangue, de vingança.

Mas os estragos na mensagem do nazareno não ficariam por aqui, na sua ânsia de encontrarem um sentido para a morte de Jesus os seus discipulos questionavam-se: Como podia Deus admitir tal situação? E então acaba-se com o Evangelho: ele morreu na cruz por nós, pelos nossos pecados. Suprime-se assim a "Boa Nova" de Jesus e o seu "Reino dos Céus".

É então que surge o ódio de Nietzsche por Paulo. Paulo diz: " Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé".

Paulo era Nietzsche o contrário do alegre mensageiro, o génio do ódio. Paulo sacrifica toda a vida de Jesus, a sua vida e doutrina. Para Paulo não foi Cristo importante, mas sim a cruz. Ele inventou uma história mirambulante de ressurreição, uma segunda vinda do Messias, o castigo para os pecadores. A sua necessidade era o poder, com Paulo o padre quis apenas o poder, utilizou conceitos , doutrinas, simbolos, por meio dos quais se tiranizaram as multidões e se formam os rebanhos.

Nietzsche afirma-nos que a única coisa que Maomé foi buscar ao Cristianismo, foi esta invenção de Paulo, o seu meio de tirania sacerdotal: a fé na imortalidade, ou seja, a doutrina do juízo...

Transcreverei um excerto do Anticristo, onde se compreende o porquê do nazismo ter ido beber a Nietzsche: "Conceder a imortalidade a cada Paulo e Pedro foi até agora o maior e mais pérfido ataque à humanidade nobre. (...). Hoje, ninguém mais tem coragem do privilégios, dos direitos de dominação, do sentimento de reverência por si e pelos seus pares... (...) O aristocracismo foi minado, na sua dimensão mais subterrânea, pela mentira da igualdade das almas; e se a fá no «privilégio da maioria» constitui e constituirá revoluções, é o Cristianismo, são os juízos de valor cristãos, que traduzem toda a revolução simplesmente em sangue e em crime! O Cristianismo é uma insurreição de tudo o que rasteja pelo chão contra o que tem sublimidade: o Evangelho dos pequenos empequenece...

Querem outra: " O cristão esta ultima ratio da mentira, é uma vez mais o judeu- três vezes ele próprio..."

Nieztsche dá-nos algumas passagens, algo "evangélicas" da bíblia, segundo Nietzsche, palavras que foram colocadas na boca de Jesus: "Não julgues", dizem eles. Mas mandam para o inferno tudo o que se encontra no seu caminho.

" E se alguns vos não rceberem e ouvirem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo, Sodoma e Gomorra serão no dia do juízo tratadas com menos rigor que essa cidade." Muito evangélico...

"Em verdade vos digo: há alguns aqui presentes que não morrerão antes de ver chegar o Reino dos Céus no seu poder." Será mesmo?

"Não julgueís para não ser julgado. Com a medida com que medirdes, vos será medido." Um juíz pouco integro...

"Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo". Todas as coisas, a saber: alimentos, vestuário, todas as necessidades da vida.

Passagem de Paulo: " Acaso não sabeis que os santos julgarão o mundo? E se é por vós que o mundo vai ser julgado, seríeis então ineptos para julgar as coisas mínimas?" Parece um discurso de um louco internado... mas prossegue:" Não sabeis que julgaremos os anjos? Quanto mais os bens temporais".

Enquanto o padre surgir como tipo superior de homem, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão, não haverá resposta para a pergunta: o que é a verdade? Enquanto assim for a verdade estará virada de cabeça por baixo. O que um padre afirma verdadeiro, deverá ser certamente falso.

Querem saber o que arruina uma divindade: Quando ela se torna «coisa em si».

Isto são apenas alguns pensamentos de Nietzsche e do seu anticristo, aconselho quem questiona a doutrina da Igreja Católica a ler.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Os Piores

Foi criado há pouco tempo o site titanicawards.com, para o qual turistas e profissionais do turismo enviam os seus testemunhos sobre locais que visitaram, mas neste caso vêm testemunhar as suas piores experiências.

Os prémios provisórios em algumas categorias são os seguintes:

Pior low-cost: Ryanair (qual é a admiração?)
Pior cozinha: Reino Unido (comidas quase sem tempero? É tão bom ser tuga)
Piores casas-de-banho: China (haver lá casas de banho é uma sorte)
Piores souveniers: Estados Unidos da América (quem diria?)
Catedral mais sobrevalorizada: Notre Dame (sempre tive em boa conta o gótico)
Mais chata das Sete Maravilhas: Torre de Pisa (o pessoal bem espera que aquilo caia, mas nada)
Cidade mais mal-cheirosa: Nova Deli (qué frô?)

Santo Agostinho

Algumas frases de Santo Agostinho:

- Eu pecava, porque em vez de procurar em deus os prazeres, as grandezas e as verdades, procurava-os nas suas criaturas: em mim e nos outros. Por isso, precipitava-me na dor, na confusão e no erro.

- E assim, apesar de estarmos doentes para alcançar a verdade com a transparência da razão e por isso nos ser necessária a autoridade dos Livros Santos(…)

- Contra vontade ninguém procede bm.

- Para aprender, é mais eficaz uma curiosidade espontânea que um constrangimento ameaçador.

- Há várias maneiras de sacrificar anjos a pecadores.

-O que importa é haver motivo para a alegria.

- Quem é fiel no pouco, é no muito.

- A vida é miserável e a hora da morte incerta.

- Quem ama o perigo, nele cairá.

- Uma alegria maior é precedida de uma dor maior.

- Conhecer Deus é conhecer-nos a nós próprios.