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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Golfe camponês

Em Portugal aposta no Turismo traduz-se a maior parte das vezes na abertura de hotéis e investimento em campos de golfe. Basta ouvir os responsáveis falarem em jornais, na tv ou em qualquer orgão de comunicação social para entender que os responsáveis pelo turismo português só vêm à frente, auto-estradas, hotéis, campos de golfe, como paradigmas do desenvolvimento turistico.

Esta mentalidade advém do facto de os responsáveis raramente terem formação em Turismo, porque quem lhes dá os altos cargos achar que qualquer pessoa pode fazer bem esse trabalho. O pior é que quem tem o mínimo de formação turística arrepia-se com o discurso destes senhores, que de Turismo nada entendem.

O bom turismo tem uma grande dose de planeamento e muitas vezes o investimento não necessita de ser grande para o retorno ser também grande.

Se a aposta turistica deve primar por uma diversificação da oferta e pela criatividade, num mercado já saturado da aposta nos mesmos produtos, em época de crise essa diversificação e imaginação deve ser ainda maior, de modo a se investir pouco e ter alto proveito, ou seja, haver um saldo positivo na relação custo/benefício.

Ora foi exactamente isso que aconteceu nos Açores, com a aposta no Golfe Camponês (GC) na ilha do Faial nas encostas do vulcão dos Capelinhos.

O GC é uma aposta no regresso ás origens rurais da modalidade na Escócia. É uma modalidade praticada em zonas de pastagens de erva rasteira, os circuitos são compostos por 18 bandeiras, no meio de círculos com diâmetro de um metro que funcionam como buraco. Antes de cada tacada é possivel melhorar a posição da bola, numa distância igual ao comprimento do taco, mas apenas para os lados. Isto acontece devido ao terreno demasiado acidentado onde é disputado o jogo. A bandeira considera-se concluída quando a bola estiver dentro do círculo que a envolve.

Ao contrário dos verdes campos de golfe é substituído aqui por areia escura e fragmentos de rocha lavar vermelhor, e se se pode tentar jogar onde mais ninguém ousa jogar, pode-se também aproveitar para desfrutar das paisagens açorianas enquanto de joga. Importante é também referir que os Capelinhos é uma zona protegida e ainda assim é possivel jogar este desporto nestas zonas, ou seja, ao contrário do golfe tradicional este não é agressivo para o ambiente.

Se isto começou como uma brincadeira na ilha do Faial, hoje é um projecto que contagiou os orgãos turísticos responsáveis, como é o caso das Casas Açorianas, uma associação de turismo rural que tem co-organizado os 16 torneios já realizadas em todas as ilhas, à excepção da Graciosa e da Terceira.

Nos Açores o desporto é praticado num solo vulcânico como o do vulcão dos Capelinhos, nass encostas verdes da ilha com vista para a ilha do Pico, a deslocação dos jogadores em vez de ser no tradicional carrinho é feita num 4x4, os obstáculos podem ser vacas, bezerros ou cavalos.

O primeiro campo oficial deste desporto nos Açores será mesmo o cenário lunar dos Capelinhos.

O preço será de 10 a 15 euros por pessoa.

O que mais importa não será a competição em si, será sim o desfrutar da paisagem local, o convívio, o coffe-break e o almoço servidos no meio da paisagem, onde os jogadores se podem repastar com a gastronomia tradicional, como os queijos, batata-doce, enchidos caseiros ou chicharros fritos.

Alguém dúvida do sucesso deste pequeno investimento a médio longo prazo? Só quem nada perceber de turismo.

Com isto concluo: os nichos de mercado andam aí, estejam atentos meus senhores.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Turismo os caminhos

Se entre 2004 e 2007 o turismo global explodiu, com um crescimento médio de 3.6% ao ano, devo a variados factores, entre os mais importantes uma economia mundial estável, preços dos combustíveis baixos, desaparecimento do medo pós 11 de Setembro e crescimento das low-cost, o começo da crise no segundo semestre de 2008 provocou uma descida de 1% no crescimento turistico, com especial afectação nos países desenvolvidos e do BRIC. Isto deveu-se a uma maior dependência do turismo em maior escala por parte destas nações, que têm também um indice de turismo interno elevado, onde o impacto da crise foi menor.

Há casos que ilustram bem o tamanho da crise na indústria, a China que em 2004 tinha ultrapassado a Itália como o quarto país mais visitado do mundo, viu o seu número de visitantes baixar em 7% e as receitas do turismo descer 15%.

Em Espanha no mês de Fevereiro, as chegadas desceram 16%, em relação ao período homólogo do ano anterior.

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo prevê para este ano uma contracção de 3.5% este ano na indústria, com a eliminação de 10 milhões de postos de trabalho até ano ínicio de 2011.

O Turismo é neste momento a maior indústri mundial envolvendo 7.6% dos empregos de todo o mundo e gerando 9.4% do rendimento global, e ainda podemos olhar para as suas ligações a outros sectores da economia, como a construcção, fábricas, petróleo, alimentar, etc...

Em plena crise e por factores específicos da própria indústria, alguns governos começaram a olhar para o turismo como o meio mais eficaz para relançar as suas economias, no periodo pós crise. Se a Islândia depois da bancarrota, tem no turismo a bandeira para reerguer a sua economia, em Espanha serão injectados 1300 milhões de dólares para a modernização das infra-estruturas turísticas espanholas, para combater destinos como a Turquia ou o Egipto que acabaram por se tornar mais apetecíveis devido à valorização do Euro. Nas Canárias, o Conselho Municipal do Turismo iniciou um conjunto de seminários para melhor preparar os trabalhadores da área, e sensibilizá-los para a importância que eles têm para o sucesso turistíco da região.

A Itália está decidida em apostar na publicidade dos seus destinos, os seus alvos são o Canadá, os EUA e a Europa, nos anúncios pode-se ouvir a música clássica e visualizar-se as paisagens e monumentos transalpinos. Pode parecer excessivo para um país forte no sector como a Itália? Então atente-mos no facto de em 2008 o turismo italiano ter registado uma quebra de 5%, perdas de 5200 milhões de dólares e 150 mil empregados.

Depois temos também as perdas das companhias aéreas, que prevêem uma contracção do tráfego de pessoas em 5.7%, com prejuízos que vão até os 4700 milhões de dólares. A esta situação acrescenta-se o facto de o preço do petróleo se achar numa grande instabilidade.

No sudeste asiático, países como o Vietname, Cambodja, Malásia e Tailândia decidiram baixar os preços dos vistos, numa estratégia conjunta com as companhias aéreas, hotéis e demais sítios turisticos, que também se comprumeteram a rever os preços em baixa.

Nas Caraíbas a Elite Islands Resorts, irá aceitar acções desvalorizadas como forma de pagamento.

Na Coreia do Sul a desvalorização do won ajudou a atrair mais 7% de turistas, incluindo mais 50% de turistas do Japão. A Coreia do Sul foi mesmo o país asiático que mais cresceu.

Na China as autoridades locais distribuíram cupões de viagens internas.

Na Grã-Bretanha haverá este ano, mais 5 milhões de turistas internos.

Visto isto será grande o desafio dos agentes turisticos nos próximos tempos, mas também está bem patente que o turismo poderá ser também a boia de salvação para alguns países. Isto porque ao contrário de certas indústrias onde os investimentos requerem um grande esforço financeiro, o Turismo requer menos investimento e a relação custo/proveito, será mais certa do que em noutros ramos.

Quanto aos países desenvolvidos, numa altura em que as familias dispõem de menos meios para viajar, pode ser no "vá para fora cá dentro", que se encontre o caminho mais proveitoso para o negócio. Convencer os turistas a visitar o próprio país, mostrando-lhes que poderam ter umas boas férias e por menos dinheiro. Transformar turistas externos em turistas internos.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Os Piores

Foi criado há pouco tempo o site titanicawards.com, para o qual turistas e profissionais do turismo enviam os seus testemunhos sobre locais que visitaram, mas neste caso vêm testemunhar as suas piores experiências.

Os prémios provisórios em algumas categorias são os seguintes:

Pior low-cost: Ryanair (qual é a admiração?)
Pior cozinha: Reino Unido (comidas quase sem tempero? É tão bom ser tuga)
Piores casas-de-banho: China (haver lá casas de banho é uma sorte)
Piores souveniers: Estados Unidos da América (quem diria?)
Catedral mais sobrevalorizada: Notre Dame (sempre tive em boa conta o gótico)
Mais chata das Sete Maravilhas: Torre de Pisa (o pessoal bem espera que aquilo caia, mas nada)
Cidade mais mal-cheirosa: Nova Deli (qué frô?)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cuba

Um dos países que gostaria de visitar é sem dúvida alguma Cuba.

Porquê?

Pela paisagem magnífica, por ser um pedacinho de terra algo parado no tempo, por ter a melhor impressão das suas gentes, por me atrair de sobremaneira o modo como as suas gentes encaram a vida, também pela curiosidade de observar como vive um país num regime fechado e ditatorial e é hoje o único país do ocidente a deter um governo socialista.

Cuba foi a primeira região do Novo Mundo descoberta por Colombo, situada a norte do mar do Caribe tem uma história riquíssima, desde o domínio espanhol que acabou em 1898 com a ajuda dos EUA, que depois viriam a formar um governo militar na ilha, sendo finalmente erradicada da ilha a influência ianque em 1959 pelo Exército Rebelde, liderado por Fidel Castro. O país tem ainda uma grande história bélica com os EUA e episódios como a Baía dos Porcos ou a crise dos Mísseis, quando em plena Guerra Fria o Kremlin decidiu instalar em cuba mísseis nucleares bem apontados aos americanos.

Depois é claro quem não gostava de ficar a saber quais os segredos do rum cubano, dos charutos cubanos, visitar em Havana os clubes de salsa e Mambo, e ver as estradas onde circulam os belíssimos carros clássicos.

Se Havana vale mais pelas suas gentes, pela cidade em si, pelos sítios que há para beber e ouvir boa música, em suma para ter um contacto mais próximo com a cultura cubana, é em Varadero que se encontram as melhores praias e os melhores hotéis.

Em Havana visitar o Museu de História Natural, o Capitolio, o o Museo da Revolução e Pavilhão Granma, Plaza de la Revolución, visitar o night-club “La Zorra e lo Cuervo”, caminhar pela Malecon em Havana Velha, ver a Plaza de Armas, ver o Castilho da Real Fuerza, , , ir dançar boleros (ou pelo menos ver) no Pico Blanco e muitas mais coisas haveria para dizer e claro fazer. Há ainda a referir que Havana Vieja, o centro histórico da cidade, é considerado pela UNESCO como Património da Humanidade.

Em Varadero pode-se fazer mergulho, ski aquático e passeios de catamarã, no Grande Parque Nacional Península de Zapata toma-se conhecimento de uma fauna e flora de excepção, deve-se ir a Lagoa do Tesouro um pequeno paraíso ecológico, há também a visitar a Mansão Xarandu e visitar as pequenas cidades de Matanza e Cárdenas, ricas em tradições culturais.

Eis algumas razões e incentivos para eu e quem ler este artigo visitarmos Cuba.