sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sherlock Holmes

Para quem gosta dos filmes de Guy Ritchie, e para quem não gosta, aqui está mais um belo filme do realizador.
Sherlock Holmes é um filme que prima por personagens pitorescas, o próprio Sherlock é uma grande interpretação do actor Rober Downey Jr.
Se, por exemplo no Rocknrolla, o realizador aproveitava a máfia russa e os seus tentáculos no sector da construcção em Londres, e fazia daqui a história do seu filme, neste filme Ritchie cria a história e depois mostra-nos aquilo que poderia ser o inicio do uso de armas químicas, a espionagem e contra-espionagem e a corrida às novas tecnologias como meio de aperfeiçoamento bélico.
Mais uma vez num filme de Guy Ritchie as cenas de luta são do melhor que podemos ver no cinema e os diálogos são óptimos, ao nível dos melhores de Tarantino e apimentados com uma boa dose de humor.
Um filme a ver.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Homem Elefante

O monstro é assustador, vive enclausurado e só serve para matar a curiosidade dos homens.
O monstro é disforme e com uma figura assustadora.
O monstro recita a biblia sagra e adora Shakespeare.
O monstro socializa e faz amigos.
O monstro adora o dia e destesta a noite.
O monstro é explorado por outros
O monstro é aterrorizado durante a noite e encanta durante o dia.
O monstro vai ao teatro e é aplaudido de pé.
Os monstros somos nós e afinal ele apenas quer ser como nós.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta aos socialistas

Hoje muito atacada pela direita e pela esquerda mais extremista em Portugal, a esquerda sofre um processo de renovação e de regeneração.
Longe da antiga ideia comunista que afirmava o Estado como o grande controlador da economia e da sociedade, a esquerda de hoje foi profundamente influenciada pela queda do Muro de Berlim. A queda do Muro não foi apenas a queda simbólica do regime, foi a prova viva de qual a diferença entre as duas ideologias reinantes e qual aquela que criava melhores condições de vida aos seus cidadãos. Neste confronto o capitalismo ganhou o combate por KO, mas também o ganharia aos pontos.
Perante este facto mais que evidente, coube a partir desse momento à esquerda reorganizar a sua ideologia. No entanto nem toda a esquerda se reorganizou, pelo menos em Portugal, onde continua a existir o último partido comunista estalinista da União Europeia, com os seus defeitos e as suas virtudes, e surge um partido da esquerda Trotskista, o Bloco de Esquerda, mais perto da esquerda moderna.
Ao ter isto em mente pensei: "Afinal, o que é a esquerda hoje em dia?". Foi assim que deparei com um livro de Alain Touraine, Carta aos Socialista.
Neste livro o autor aponta um caminho para a esquerda. Ora sabendo que a "direita" triunfou e que esta pode trazer efectivamente riqueza e melhores condições de vida às pessoas, o autor aponta a uma nova ideologia de esquerda que equilibre a "revolução liberal" que aprofunda assimetrias entre índividuos mais desfavorecidos e as camadas mais favorecidas da sociedade. Alain Touraine revela-nos que no seu entender os cidadãos já não se encontram de costas para a sociedade liberal como estavam no famoso Maio de 68, os cidadãos (especialmente os jovens) reclamam uma oportunidade para fazer parte desta sociedade. Assim Touraine, aponta a defesa do Individuo e as diferenças existentes entre estes e o recurso à solidariedade da nova esquerda como um caminho a seguir para oferecer esta oportunidade às pessoas.
Estas ideias devem acentar em 4 pontos:
1- O emprego em vez do aumento de salários.
"(...) Se queremos lutar contra a exclusão e reconstruir o tecido social, os progressos da produtividade devem servir para o aumento do emprego através da redução do tempo de trabalho pessoal com manutenção de salário, e já não para aumentar os salários reais. A luta contra a exlusão deve ter prioridade sobre a melhoria do nível de vida dos empregados. (...) Esta mudança de modelo económico -social é relativamente fácil de concretizar numa sociedade em que os ganhos de produtividade são da ordem de 2% ao ano e em que o custo da assistência aos desempregados é elevado."
2- Abrir a sociedade
"(...) é necessário aceitar o Outro tal como ele é, com a sua cultura, mais do que por aquilo que ele faz, na medida em que a situação não lhe permite fazer. Se nós não reconhecermos a identidade daqueles que esperam diante de uma porta apenas entreaberta, acabaremos por lançá-los, mesmo sem eles quererem , nos braços daqueles que usam o argumento cultural para levar a cabo a sua própria estratégia de poder."
3- Repensar a escola
"No fundo, a melhor escola, tal como a melhor cidade, é aquela que sabe pôr em contacto os individuos mais diversos. Quanto menos homogénea for a escola, social e culturalmente, melhor conseguirá desempenhar o seu papel de despertar das personalidades, que se formam através da comunicação e não através de repetição de códigos geradores de distância e de hierarquia.(...) não é de uma reforma que necessitamos, mas de liberdade, de capacidade de iniciativa, o que não deve de modo algum ser confundido com uma concepção mercantil do ensino universitário."
4- A igualdade entre homens e mulheres
Embora muito possa ser discutida e muita ideia explicitada no livro não ter a minha aceitação, estes serão os parâmetros que terão de ser seguidos pela nova esquerda.
Deixo-vos com uma frase bem humorada da obra:"O que é hoje a esquerda? É a revolta do indivíduo contra o Estado."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Fúria

Li à pouco tempo o livro Fúria de Salman Rushdie, de referir que que Rushdie é o meu escritor favorito.
Fazendo uma pesquisa nas prateleiras da biblioteca da Mealhada para ver se encontrava um livro que me desafiasse para a leitura, eis então que me surge no horizonte visual o livro de Rushdie. O livro apresenta-se como estando ao nível de Ulisses de James Joyce. Mesmo adorando Rushdie, desconfiei desta comparação, mas decidi arriscar nesta aventura literária, sim aventura, ler Rushdie é para mim uma aventura.
O livro conta a história de Malik Solanka, um professor à procura de um rumo para a sua vida, procurando este rumo em Nova York, a cidade onde desembarca tudo o que a nossa sociedade contemporânea fabrica, desde o material ao espiritual e onde todas as culpas e ódios do mundo acabam por desaguar.
Solanka é o homem contemporâneo em busca de si próprio na grande metrópole Nova Yorkina, que vai encontrar as respostas ás suas questões no amor de uma mulher e numa nação em guerra, do outro lado do mundo.
O livro descreve muito bem a cidade e o misto cultural que lá vive, as guerras que se formam entre as diferentes etnias. É um retrato cruo, sombrio e perturbador da nossa sociedade, que nos faz perguntar para onde caminhamos.
"(...) o verdadeiro problema eram os danos não da máquina mas do coração desejoso, e a linguagem do coração estava a perder-se. A questão era um excesso de danos do coração, não a tonificação dos músculos, não a comida, nem o feng shui nem o karma, nem a impiedade nem Deus. Era esta Doença dos Nervos que deixava as pessoas ensandecidas: excesso não de bens de consumo mas de esperanças desfeitas e frutradas. Aqui na América (...) as expectativsas humanas nunca tinham estado tão altas na história humana, e o mesmo acontecia, é claro, com as decepções humanas. Quando incendiários punham o Oeste a arder, quando um homem pegava numa espingarda e desatava a matar amigos, (...) esta decepção era demasiado fraca, era o motor que dirigia a expressividade-de-língua-presa dos assassinos. Este era o único tema: o esmagar de sonhos numa terra em que o direito a sonhar era a pedra angular da ideologia nacional (...)"
  • "A perfectibilidade do Homem não é mais, poder-se-ia dizer, que uma piada de mau gosto de Deus";
  • "O Estado não pode fazer-nos felizes (...) não pode tornar-nos pessoas boas ou curar-nos de um desgosto de amor. O Estado gere escolas, mas será que pode ensinar os nossos filhos a gostar de ler, ou será essa nossa função? Há um Serviço Nacional de Saúde, mas que pode ele fazer em relação à enorme percentagem de pessoas que vai ao médico precisar? Há bairros sociais, claro, mas a boa vizinhança não é uma questão governamental.";
  • "Se a cultura era o novo secularismo do mundo, então a nova religião era fama e a indústria- ou melhor, a Igreja,- da celebridade viria dar trabalho sério a uma nova ecclesia, uma missão de proselitismo destinada a conquistar esta nova fronteira, (...) desenvolvendo novos combustíveis a partir da má-língua e levando os Escolhidos até às estrelas.";
  • "Há uma nova hipersensibilidade cultural, um modo quase patológico de ofender.";
  • "Viver na metrópole era saber que o excepcional era tão comum como um refrigerante sem açúcar, que a anormalidade era a norma da pipoca.";
  • "(...) a ignorância, desde que apoiada numa quantidade suficiente de dólares, se tornava sabedoria.";
  • "Uma cidade de meias-verdades e ecos, que domina, vá-se lá saber como, a Terra.";
  • " O Paraíso, era um lugar de que só as pessoas com mais pinta e mais massa em Nova Iorque possuiam o número secreto.";
  • "A necessidade de a América, tornar as coisas americanas, era a marca de uma estranha insegurança.";
  • "Quando os vivos chegam a acordo dentro de si mesmos em estarem mortos, então começa a fúria tenebrosa. A fúria tenebrosa da vida, recusando-se a morrer antes do tempo destinado.";
  • "Qualquer americano que se preze conhece os nomes, pelo menos, de meia dúzia de medicamentos eficaz na gestão de humores."

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Caim

É impossível ler Caim sem passar ao lado de toda a polémica que Saramago criou à volta deste livro. No entanto, de todos os que aparecem a defender Saramago sempre que este é atacado por católicos ou pela própria Igreja, quantos realmente leram a obra Caim?
Na verdade nunca li nenhum livro de Saramago, mas decidi ler o Caim para perceber melhor tudo o que se diz por aí. Quando me pus a ler Saramago pensei: " Eh pá vou me pôr a ler uma merda pesada, boa mas dificil de digerir." Por acaso de vez em quando gosto de ler obras pesadas, mas não estou para isso neste momento. O que sucedeu no entanto foi completamente o contrário, a obra é muito leve, lê-se muito bem, mas... não é boa (para mim). Embora não tenha lido mais nada de Saramago, tenho a certeza que não foi por este tipo de literatura que Saramago ganhou o prémio Nobel, se bem que quem dá um prémio Nobel da Paz ao Obama, também é capaz de entregar outros prémios Nobeis a quem não mereça.
Saramago ataca com unhas e dentes o Antigo Testamento, de facto uma obra sangrenta e cruel que mostra um Deus muito vingativo, sem qualquer tipo de misericórdia e sem senso de justiça. Tudo isto podeia ser verdade, mas o conceito de justiça que havia quando se escreveu o Antigo Testamento não é o mesmo que hoje, as histórias presentes no Antigo e Novo Testamento não podem ser levadas à letra, à apenas que retirar a ideia (a moral da história), apreendê-la e saber que devemos segui-la ou Deus punir-nos-á, não podemos levar a história de Job ou de Sodoma e Gomorra à letra.
É verdade que o Homem pode criticar a justiça divina, para isso basta olhar-mos para o mundo à nossa volta, mas será que deve criticá-la? Aquilo que eu me apercebo é que se a justiça divina é má a do Homem é péssima, mais uma vez, olhemos à nossa volta.
Voltando mais profundamente à obra literária de Saramago, a história do livro é a de Caim que assassina o irmão Abel por este ser o preferido de Deus e Deus condena-o a vaguear pelo mundo. Depois disto Caim passa pelos principais momentos do Antigo Testamento, queda dos muros de Jericó, a Torre de Babel, Sodoma e Gomorra... e vai perdendo a fé em Deus com tudo o que vê.
Os diálogos entre Deus e Caim são sempre construídos de modo a que Caim fique "por cima de Deus", Saramago critica uma obra antiga mas usa estes diálogos de modo muito actual, chegando ao ponto de pôr no pensamento de Caim conhecimentos cientificos. Sente-se na escrita de Saramago que o escritor começa, a partir do momento em que Caim começa a pôr em questão Deus e as suas acções, a simpatizar com Caim e a descrevê-lo de forma benévola. Esqueceu-se que Caim matou o irmão, ou basta não gostar de Deus para se ser boa pessoa?
Depois ao longo do livro Saramago tenta escrever com humor. Só isto basta para nos fazer rir, o livro falha completamente nas passagens humoristicas por um simples facto: basta ouvir Saramago falar para perceber que ele não tem qualquer tipo de sentido de humor.
Para mim a ideia mais sensata que Saramago nos passa encontra-se no ultimo parágrafo. Querem saber qual é? Leiam...
Não posso deixar passar em claro o facto de Saramago e muitos comunistas mostrarem um ódio enorme pela Igreja Católica e a acusarem de milhares de mortes, então e o comunismo que matou e continua a matar? Para o sr. Saramago e seus acólitos a Igreja é má, mas o comunismo é um bom exemplo?
Deixo a pergunta: Quem matou mais pessoas, a Igreja ou os regimes comunistas?
Outro facto que me preocupa, é o de muitos ateus se mostrarem hoje mais fanáticos do que a própria Igreja. A diferença entre ateus fanáticos e católicos fanáticos é ZERO.
Deixo aqui algumas passagens interessantes de Caim:
"Quanto ao senhor e as suas esporádicas visitas, a primeira foi para ver se adão e eva haviam tido problemas com a instalação doméstica, a segunda para saber se tinham beneficiado alguma coisa da experiência da vida campestre e a terceira para avisar que tão cedo não esperava voltar, pois tinha de fazer a ronda pelos outros paraisos existentes no espaço celeste."
Abel dedicava-se à pecuária, Caim à agricultura: "Há que reconhecer que a distribuição de mão-de-obra doméstica era absolutamente satisfatória, uma vez que cobria por inteiro os dois mais importantes sectores da economia da época."
"...Por serem, como se diz, inescrutáveis os vossos designios, perguntou caim, Essas palavras não as disse nenhum deus que eu conheça, nunca nos passaria pela cabeça dizer que os nossos designios são inescrutáveis, isso foi coisa inventada por homens que presumem ser tu cá, tu lá com a divindade."
"Chorar o leite derramado não é tão inútil como se diz, é de alguma maneira instrutivo porque nos mostra a verdadeira dimensão da frivolidade de certos procedimentos humanos."
"...almocreves somos e pela estrada andamos. Tanto sábios como ignorantes."
"...nunca não é o contrário de tarde, o contrário de tarde é demasiado tarde."
"...Eis o que diz o senhor, deus de israel, pegue cada um numa espada, regressem ao acampamento e vão de porta em porta, matando cada um de vocês o irmão, amigo, vizinho."
"...Lúcifer sabia bem o que fazia quando se rebelou contra deus..."
"...Como sempre tem sucedido, à minima derrota os judeus perdem a vontade de lutar (...) a choradeira verbal é inevitável."
"... caim é o que matou o irmão, caim é o que nasceu para ver o inenarrável, caim é o que odeia deus..." (nota-se que saramago começa a simpatizar com o caim desta história, porque se começa a rever nas suas ideias).
" Apesar de assassino, caim é um homem intrinsecamente honesto..." (MAIS PROVAS?????)
"... admites então que haja no universo uma outra força, diferente e mais poderosa que a tua, É possível, não tenho por hábito discutir transcendências ociosas..."
"...talvez não saibas que os barcos flutuam porque todo o corpo submergido num fluido experimenta um impulso vertical e para cima igual ao peso do volume desalojado, é o principio de arquimedes..."
P.S. Sou agnóstico.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fome

Infelizmente e por falta de tempo, não tenho vindo aqui tantas vezes quanto as desejadas. Razões? Trabalho, mestrado e problemas pessoais que muito me inquietam.

Mas venho escrever sobre um filme que vi à bem pouco tempo e que recomendo vivamente (infelizmente tempo para leituras não existe mesmo, já me bastam artigos cientificos).

O filme que sobre o qual escrevo chama-se, Fome.

O filme retrata as condições desumanas a que se sujeitavam os presos do IRA na Irlanda do Norte, durante a greve da sujidade e do cobertor. Os presos recusavam a farda de prisioneiros, usando apenas um cobertor, na sua sela a latrina não tinha papel e as paredes eram castanhas (sim, exacto, adivinharam), recusavam banhos ou qualquer outra forma de higiene.

Neste bloco da prisão sofriam os presos (por opção), os guardas, médicos e todas as pessoas envolvidas com estes agentes.

Além desta realidade tão bem retratada no filme, acompanha-mos a greve de fome de Bobby Sands e a lenta deterioração e agoniante deterioração do seu corpo.

A vida de Raymond Lohan, o guarda prisional que vivia apavorado e marcado por tudo o que se passava no bloco.

Neste filme que retrata factos veridicos da luta dos militantes do IRA para obterem o estatuto de presos politicos, destaco também o magnífico diálogo entre o pároco da prisão e Bobby Sands, quando este decide que vai fazer greve de fome até ás ultimas consequências. Um diálogo a roçar a perfeição.

Vejam

domingo, 11 de outubro de 2009

Gato Preto Gato Branco

Grande filme de Emir Kusturica.
Adorei ver este filme, ao contrário de Underworld, Gato Preto Gato Branco (GPGB) é um filme, na minha opinião, bem melhor.
Se Underworld é um grande filme no princípio, conforme o filme avança vai-se diluindo a sua qualidade, com Kusturica a complicar demasiado a acção para fazer passar ideias simples. O final do filme é mesmo anarquico e alternativo demais na minha opinião.
Já GPGB, é um filme em crescendo em que acabamos a dar gargalhadas com as personagens e com situações caricatas. Ao contrário da muita filosofia que é descorrida sobre esta obra, na minha opinião, este filme é apenas e só uma grande comédia, e que comédia... Uma comédia muito inteligente que com uma acção mais simplificada, consegue passar na perfeição as ideias do autor, e é claro um filme baseada em ciganos tem de ser muito rico em falcatruas e situações surreais.
Uma palavra para os cenários deste filme, simples mas deliciosos.
É também justo referir que não há filmes com melhor banda sonora, que os filmes de Emir Kusturica. Por vezes dá vontade de nos levantarmos e dançar.
Como grande fã de Tim Burton que sou, tenho de referir que me parece haver uma tendência Burtoniana na obra de Kusturica, em personagens marcantes e muitas vezes irreais, e em situações hilariantes e utopicas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Acordado

Este filme de 2007, tem como actores principais Hayden Christensen, Jessica Alba e Terrence Howard.

É um bom filme para quem tiver uma hora e meia de tempo morto e quiser aproveitá-la com algo produtivo, visto o filme ser leve, interessante e de apenas 1h20m, que acabam por voar.

O filme é uma adaptação cinematográfica de uma obra literária.

O roteiro do filme tem como base uma operação de transplante de coração, feita a Clay (Hayden Christensen), em que este embora adormecido, consegue ouvir o que se passa à sua volta e sentir todos os procedimentos da operação. É algo que acontece muito raramente durante as operações, o paciente está a dormir, mas consciente de tudo o que se passa à sua volta, estando em profundo sofrimento porque sente tudo o que lhe estão a fazer, e em agonia porque não consegue transmitir o que sente.

É durante a operação que se apercebe a trama do filme. Se numa certa altura o roteiro é previsivel, o final é inesperado.

Não posso adiantar mais sobre esta película, pois de outro modo ficar-se-ia a conhecer o filme antes de o ver.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Plano Infinito

Depois de ler a bela obra de Homero, A Iliada, decidi ler um livro mais "leve", O Plano Infinito (PI) de Isabel Allende(IA).

A dicotomia entre estes 2 livros é por demais evidente, mas será o de IA pior? Ok, a Iliada é um clássico e é um livro "pesado", mas o Plano Infinito é noutro prisma, também um livro bastante bom. Isto só prova que a literatura não precisa ser pesada para ser boa. A literatura divide-se em 2 blocos apenas, boa e má.

O PI conta-nos a história de vida Gregory Reeves, o companheiro/marido (não sei bem), de IA que ela já nos dá a conhecer na sua obra, Paula.

IA aproveita a história de vida de Gregory Reeves para passar por toda a história dos EU, desde a Grande Depressão até ao inicio dos anos 90.

O livro é recheado de boas personagens, desde Gregory Reeves o homem atormentado pela sua infância e pela guerra, um homem à procura de um caminho para a felicidade e que normalmente a procura no sitio errado, como muitos de nós.

Depois temos Pedro Morales, o patriarca da familia do ghetto mexicano, e sua esposa Inmaculada Morales.

Carmen ou Tamar, a personagem oposta a Gregory Reeves, pode-se dizer que um é a face boa da vida e as escolhas certas e outro a face oposta, com opções erradas.

É dificil descrever todas as personagens, a familia de Gregory, o pai, a mãe e a irmã, é uma familia disfuncional, mas que representa bem um certo estereótipo de familia existente.

As mulheres de Reeves, que nos representam a futilidade e a coqueteria de grande parte das mulheres ocidentais.

Enfim, um manancial de personagens que IA tão bem sabe construir e explorar de forma sublime e que nos faz pensar que isto não é apenas uma obra de ficção, isto existe mesmo.

A parte do livro que mais gostei, foi a parte dos anos 60 e a revolução hippie, IA dá-nos uma visão absolutamente realista daquilo que eram os hippies, e com a qual eu concordo inteiramente. IA mostra-nos que toda a existência passava acima de tudo por não fazer nada, arranjar desculpas e razões para fazer grandes orgias e ter sexo com tudo e todos, e claro as drogas. No meio da revolução hippie apenas se aproveitou o rock n'roll. Aliás a geração hippie foi a mesma geração que lançou a febre consumista e materialista, dos anos 70 e 80. Alguém consegue desmentir isto?

Ao que se resume esta obra: "NA VIDA NUNCA SE CHEGA A NENHUM LADO. VIVE-SE, NADA MAIS."




terça-feira, 1 de setembro de 2009

Rocknrolla

Este filme parece um malho de AC DC ou de Guns N' Roses, o ritmo é intenso e frenético e agarra-nos do principio ao fim do filme.

A história do filme? Bem vou tentar!

O filme é quase um filme puzzle com várias acções paralelas, que decorrem entre si e com influência umas nas outras.

Uma estrela do rock que é dada como morta afinal está viva e consegue encontrar o significado da existência humana num maço de tabaco.

Dois produtores discográficos são chantageados.

Um mafioso local com ligações ao negócio das construcções.

Uma quadrilha de bandidos que faz trabalhos para outros mafiosos.

Uma contadora que engana os próprios clientes e que deixa meio mundo apaixonado.

Um mafioso russo que quer entrar no negócio das construcções locais.

Um senador corrupto.

Um gangster gay.

Um bufo.

E por fim, o mais importante, um quadro que é emprestado depois roubado depois descoberto depois comprado depois achado e que pelo caminho muda sempre a história do filme.

UUUUUUUUUUUUFFFFFFFFFF!!!!!

Bom basicamente é isto, baladas e bandas tipo Radiohead aqui são só para meninos, o ritmo é alucinante.

O guião é excelente e estou rendido por completo ao Sr. Guy Ritchie.

Ficamos à espera do, Verdadeiro Rocknrolla.

sábado, 29 de agosto de 2009

Identidade Kubrick

Vi o filme Identidade Kubrick (IK)e ao contrário da maioria das críticas que vi na net, o filme não me desiludiu antes pelo contrário. Posso até afirmar que ainda bem que não vi antes as críticas na net, pois assim deixaria de ver o filme, e agora ao pensar nisso vejo que teria perdido um bom filme.

IK é uma daquelas comédias que não nos faz soltar gargalhadas, mas ficamos do inicio ao fim com um sorriso aparvalhado na cara. Durante uma hora e meia esquecemos os problemas que nos rodeiam e a nossa vida e concentramo-nos nas aventuras do burlão Alan Conway (AC).

AC é um burlão, alcoólico e homossexual, que se faz passar por Stanley Kubrick (SK). Durante todo o filme AC engana as mais diferentes pessoas, o homem do talho, uma banda de heavy metal, criticos de cinema... enfim qualquer pessoa a quem pudesse roubar um apetecivel projecto, dinheiro ou por apenas umas horas de sexo.

O mais "nonsense" em todo o filme é que AC, nem sequer conhece a obra de SK, o que não o impede de enganar meio mundo.

Ao contrário da grande parte das criticas que li na net, penso que o filme alcança o objectivo a que se propõe, ser uma comédia que nos faz apaixonar, odiar, divertir e ter pena da personagem principal. Penso que o objectivo do realizador nunca foi fazer uma homenagem a SK, fazer uma obra-prima ou uma grande critica a Hollywood e ao show business.

Uma das criticas com que concordo é o facto de John Malcovich arrebatar o filme completamente para si, o seu AC é deveras fantástico e embora seja um grande boneco, também há por ali muito John Malcovich.

Enquanto vi o filme e as suas situações mais caricatas perguntava a mim próprio: "E se fosse eu a ser burlado desta maneira, não cairia também?" A resposta é: "Sim cairia.". De facto o ser humano não é dificil de enganar, basta ter à sua frente uma figura credível, ou melhor uma figura que pensemos ser credível, e ouvirmos exatamente aquilo que queremos ouvir. A partir deste momento estamos prontos para a "matança".

A verdade é que visto de fora, as burlas de AC parecem fazer parte de um qualquer cenário Kafkiano. Visto por dentro, bom visto por dentro, o guião do filme é baseado em factos veridicos e AC existiu mesmo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A Desilusão de Deus

Li há pouco tempo mais um livro religioso, ou melhor um livro não-religioso, de Richard Dawkins: "A desilusão de Deus".

O autor, ao que parece um ateu bem conhecido nos EUA e entre a comunidade católica, pelo menos ele assim apregoa, é um ateu que nos quer convencer através de episódios contidos nas 3 religiões com mais seguidores Catolicismo, Islamismo e Hinduísmo, e pelas palavras e actos dos seus responsáveis que não existe essa "coisa" chamada Deus.

Durante todo o livro ele acusa as religiões e seus responsáveis de fanatismo, fundamentalismo e de tentativa de control das massas, acabando ele próprio por ser um fanático e fundamentalista não-religioso. Impressionante como normalmente quem segue cegamente uma ideologia contra outra, acaba sempre por se tornar uma versão diferente daquilo que tanto odeia. A História está cheia destes exemplos e de facto muitos ateus, acabam por fazer exactamente os mesmos erros que imputam, e muitas vezes com razão, ás religiões.

Como agnóstico prefiro questionar e não afirmar.

O autor desta obra vai-nos informando, de forma bastante envaidecida, que os seus amigos (que obviamente partilham as suas ideias, porque um fundamentalista ou um idealista não tem amigos que pensem de forma diferente da sua), lhe dizem que ele é considerado pela igreja Norte Americana como o Satã ou o Anti-Cristo dos tempos modernos. Uma ideia que o autor subliminarmente "abençoa" para a sua pessoa. Penso que este senhor deve adorar espelhos.

Da obra li os capítulos que mais me interessavam e aqui ficam algumas frases tiradas do livro, confesso que a maioria nem são do autor original, mas sim transcrições de outros autores que ele nos apresenta.

Uma das coisas que aprendi, quiçá a de maior importância, foi que os EUA não foram fundados como país cristão, como a direita norte americana tanto apregoa. Aqui fica a transcrição de um tratado de 1796 assinado por John Adams em 1797, durante a presidência de George Washington: " Considerando que o governo dos EU não é, em nenhum sentido, fundado na religião cristã; considerando que não o move qualquer inimizade contra as leis, religião ou tranquilidade dos muçulmanos, e conferindo que os referidos Estados nunca moveram qualquer guerra ou acto de hostilidade contra qualquer nação maometana, é declarado pelas partes que nenhum pretexto resultante de opiniões religiosas deverá alguma vez ser razão para uma interrupção da harmonia existente entre os 2 países".

Neste tratado podemos ver que os EUA foram fundados com uma base secular. Hoje esta base secular, é ignorado pelas igrejas católicas americanas e pelos milhares de pastores norte americanos, assim como pelos politicos que não têm actualmente outra saída senão aceitar a não- secularidade do Estado.

EINSTEIN: "Eu não tento imaginar um Deus pessoal; basta mostrar reverência pela estrutura do mundo, na medida que ele permita aos nossos insuficientes sentidos apreciá-lo".

RALPH EMERSON: "A religião de uma época é o entretenimento literário da época seguinte."

THOMAS JEFFERSON: "Na nossa intituição não devia haver lugar para uma cátedra de teologia."

EINSTEIN: " Estranha é a nossa situação aqui na Terra. Cada um de nós vem para uma curta visita, sem saber porquê, contudo, por vezes parecemos adivinhar um objectivo. No entanto do ponto de vista do quotidiano, há uma coisa que sabemos: que o homem está aqui pelos outros homens- acima de tudo por aqueles cujos sorrisos e bem-estar depende a nossa felicidade."

SEAN O'CASEY: " A política chacinou os seus milhares, mas a religião chacinou as suas dezenas de milhares."

VICTOR HUGO: " Há em cadeia aldeia um archote- o mestre escola; é uma boca que sopra para o apagar- o pároco."

STEVEN WEINBERG:" Com ou sem religião haverá sempre gente boa a fazer o bem e gente má a fazer o mal. Mas é preciso religião para colocar gente boa a fazer o mal."

BLAISE PASCAL: "Os homens nunca fazem o mal tão completamente e tão alegremente como quando o fazem por convicção religiosa".

Agora como agnóstico digo a frase da minha preferência da autoria de Abert Einstein: " A ciência sem a religião é coxa, mas a religião sem a ciência é cega".

Boas orações ou lá o que é, como diria uma conhecida personagem de Salman Rushdie.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

State of Play

"People still know what's serious information and what is bullshit."

"This is good journalism".

Eis duas das frases que destaco deste grande filme de Kevin Mcdonald.

A frase é do jornalista Call MacCaffrey, um jornalista de investigação à antiga interpretado de modo simples mas criativo por Russel Crowe.

O filme conta ainda com Ben Affleck, Rachel McAdams a estrela de Red Eye e Jason Bateman.

A acção do filme tem como pano de fundo as lutas internas que os Estados Unidos travam contra empresas de armamento, a quem os governos deram poderes ilimitados e que agora são de dificil controlo, para quem a guerra e a segurança interna é apenas um negócio independentemente das baixas.

O filme começa com a morte de uma acessora e amante de um senador que luta nos tribunais contra uma poderosa empresa de armamento.

Um jornalista de investigação irá tentar desmantelar o puzzle que se forma entre o senador, a empresa de armamento e o assassinio da acessora.

O jornalista Call MacCaffrey terá a ajuda de uma jovem jornalista Della Frye para conseguir juntar as peças da história. Della é uma jovem jornalista que dá mais importância a imprensa de Blog que tem uma opinião sobre tudo e todos, mas normalmente completamente vazia de conteúdo e de verdadeiro trabalho jornalistico.

O filme mostra-nos a importância que o bom jornalismo tem ou deveria ter, na nossa sociedade actual, onde as peças jornalisticas têm cada vez menos conteúdo e factos e cada vez mais opinião individual.

O jornalismo de investigação terá de ser a grande aposta futura da imprensa escrita, é este jornalismo que poderá salvar esta imprensa, da cada vez maior concorrência da Internet.

Há ideias e histórias que se conseguem transmitir melhor no papel. Haja editores que se lembrem disto e se lembrem da dívida que tem um jornalista para com a sociedade que lhe confere direitos especiais que mais nenhuns cidadãos têm.

O jornalismo é ainda hoje o maior poder na civilização ocidental.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Golfe camponês

Em Portugal aposta no Turismo traduz-se a maior parte das vezes na abertura de hotéis e investimento em campos de golfe. Basta ouvir os responsáveis falarem em jornais, na tv ou em qualquer orgão de comunicação social para entender que os responsáveis pelo turismo português só vêm à frente, auto-estradas, hotéis, campos de golfe, como paradigmas do desenvolvimento turistico.

Esta mentalidade advém do facto de os responsáveis raramente terem formação em Turismo, porque quem lhes dá os altos cargos achar que qualquer pessoa pode fazer bem esse trabalho. O pior é que quem tem o mínimo de formação turística arrepia-se com o discurso destes senhores, que de Turismo nada entendem.

O bom turismo tem uma grande dose de planeamento e muitas vezes o investimento não necessita de ser grande para o retorno ser também grande.

Se a aposta turistica deve primar por uma diversificação da oferta e pela criatividade, num mercado já saturado da aposta nos mesmos produtos, em época de crise essa diversificação e imaginação deve ser ainda maior, de modo a se investir pouco e ter alto proveito, ou seja, haver um saldo positivo na relação custo/benefício.

Ora foi exactamente isso que aconteceu nos Açores, com a aposta no Golfe Camponês (GC) na ilha do Faial nas encostas do vulcão dos Capelinhos.

O GC é uma aposta no regresso ás origens rurais da modalidade na Escócia. É uma modalidade praticada em zonas de pastagens de erva rasteira, os circuitos são compostos por 18 bandeiras, no meio de círculos com diâmetro de um metro que funcionam como buraco. Antes de cada tacada é possivel melhorar a posição da bola, numa distância igual ao comprimento do taco, mas apenas para os lados. Isto acontece devido ao terreno demasiado acidentado onde é disputado o jogo. A bandeira considera-se concluída quando a bola estiver dentro do círculo que a envolve.

Ao contrário dos verdes campos de golfe é substituído aqui por areia escura e fragmentos de rocha lavar vermelhor, e se se pode tentar jogar onde mais ninguém ousa jogar, pode-se também aproveitar para desfrutar das paisagens açorianas enquanto de joga. Importante é também referir que os Capelinhos é uma zona protegida e ainda assim é possivel jogar este desporto nestas zonas, ou seja, ao contrário do golfe tradicional este não é agressivo para o ambiente.

Se isto começou como uma brincadeira na ilha do Faial, hoje é um projecto que contagiou os orgãos turísticos responsáveis, como é o caso das Casas Açorianas, uma associação de turismo rural que tem co-organizado os 16 torneios já realizadas em todas as ilhas, à excepção da Graciosa e da Terceira.

Nos Açores o desporto é praticado num solo vulcânico como o do vulcão dos Capelinhos, nass encostas verdes da ilha com vista para a ilha do Pico, a deslocação dos jogadores em vez de ser no tradicional carrinho é feita num 4x4, os obstáculos podem ser vacas, bezerros ou cavalos.

O primeiro campo oficial deste desporto nos Açores será mesmo o cenário lunar dos Capelinhos.

O preço será de 10 a 15 euros por pessoa.

O que mais importa não será a competição em si, será sim o desfrutar da paisagem local, o convívio, o coffe-break e o almoço servidos no meio da paisagem, onde os jogadores se podem repastar com a gastronomia tradicional, como os queijos, batata-doce, enchidos caseiros ou chicharros fritos.

Alguém dúvida do sucesso deste pequeno investimento a médio longo prazo? Só quem nada perceber de turismo.

Com isto concluo: os nichos de mercado andam aí, estejam atentos meus senhores.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Sétimo Selo

Acabei de ler o Sétimo Selo de José Rodrigues dos Santos. A sua escrita assemelha-se à de Dan Brown, para quem gosta de thrillers e de conspirações é óptimo.

A obra fala da descoberta de uma energia alternativa ao petróleo, e do esforço das companhias petrolíferas para abafarem essa descoberta.

Durante todo o livro vão sendo expostos factos preocupantes da industria petrolífera.

Depois de 3 choques petrolíferos, o de 74 com o embargo árabe, o de 79 com a revolução iraniana e o de 91 com a guerra do Golfo (a crise petrolifera recente não é mencionada pelo autor, devido à data em que foi escrito o livro).

A história desenrola-se em Coimbra, Sibéria, Áustria e Austrália.

Eis alguns dos factos que José Rodrigues dos Santos nos apresenta:

- Com a deslocação do gelo, o Polo Sul desloca-se todos os anos 10 metros em direcção à América do Sul;
- A invasão nazi à URSS tinha como objectivo controlar o petróleo;
- Entre 1960 e 1990 o gelo do Polo Norte ficou 40% mais fino;
- Entre a era glaciar e a nossa, a diferença de temperatura é de apenas 5 graus;
- Os aerossóis diminuem a temperatura e o dióxido de carbono aumenta;
- A China pretende construir mais 300 centros de carvão até 2020;
- Baikal, o maior lago do mundo fica na Sibéria, que tem quinto da água potável de todo o mundo, é maior que Portugal.

O autor diz-nos que é urgente investir em energias alternativas, pois o petróleo de todos os campos petroliferos do mundo já passaram o seu pico de produção uns á cerca de 30 anos, outros à 20 anos.

A grande esperança do mundo são os campos de petróleo da Arábia Saudita. O grande problema destes campos, é a sua produção não ser controlada por nenhum organismo oficial, assim o mundo não sabe o petróleo que existe nestes campos. Os sauditas afirmam que o pico de produção destes campos ainda está longe de chegar e que os campos jorrarão petróleo durante mais de 100 anos ainda, outras pessoas pensam que o pico de produção destes campos já passou à algum tempo e quando os campos sauditas secarem, apanharão os governos e as economias desprevenidas. Provocarão grandes crises, fome, paralisação de economias e guerras.

Junta-se a tudo isto o facto dos governos dos países desenvolvidos olharem para o lado em termos de questões ambientais e do aquecimento global, as economias e as civilizações não estão preparadas para a escassez de petróleo. Entretanto países como a China e a India preparam-se para serem grandes consumidores de petróleo, aumentando assim as emissões de combustíveis fósseis para o ambiente, acelarando assim o aquecimento global e aumentando a produção de petróelo, que cada vez mais vai escaciando no globo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pisar o Risco

Depois de ler Pisar o Risco de Salman Rushdie, deixo aqui alguns pensamentos e frases do autor:

- "(...) E é verdade que a história humana transborda de opressão colectiva exercida pelos cocheiros dos deuses. E todavia, no entender das pessoas religiosas, o conforto individual que a religião confere compensa que suficientemente o mal feito em seu nome."

-"(...) é o próprio absurdo das versões religiosas que incita os seus adeptos a reiterarem com uma crescente estridência a necessidade de uma fé cega."

- "A libertação intelectual na Europa, significou sobretudo a emancipação frente ás imposições da Igreja, e não do Estado."

- "A história dos versiculos satânicos, diz-nos que em certa ocasião, o Profeta foi confrontado com alguns versículos que pareciam aceitar a divindade das 3 deusas pagãs mais populares de Meca, comprometendo desse modo o monoteísmo rígido do Islão. Mais tarde, o Profeta rejeitaria esses versículos como um embuste do diabo, dizendo que Satã lhe aparecera disfarçado de Arcanjo Gabriel e lhe recitara os seus Versículos Satãnicos."

- "Para o fundamentalismo religioso, e sobretudo, na actualidade, para o fundamentalismo islâmico, o adjectivo «laico» é a mais suja das palavras sujas."

- "Os laicistas sabem que um Estado-nação moderno não pode ser construído na base de ideias que surgiram no deserto da Arábia há mais de 1300 anos."

- "Os fundamentalistas declaram sempre que é a simplicidade que procuram, mas a verdade é que são obscurantistas em tudo. O que é simples é aceitar que se alguém pode dizer:«Deus existe», outra pessoa pode dizer: «Deus não existe». O que nada tem de simples é exigirem-nos que acreditamos que há só uma verdade, só uma maneira de exprimir essa verdade, e só um castigo -a morte- para os que entenderem que não é assim."

- "Os líderes europeus honram em palavras os ideias das Luzes - liberdade de expressão, direitos humanos, separação da Igreja e o Estado. Mas quando estes ideais batem na banalidade poderosa daquilo a que se chama «realidade»-negócios, dinheiro, armas, poder- estão prontos a deixar cair a liberdade."

- "Os Hitlers da história podem ter caído, mas a cadela que os pariu está outra vez com o cio."

- "O conhecimento humano imperfeito talvez seja uma estrada acidentada, cheia de buracos, mas é o único caminho de conhecimento digno de ser tomado."

- "Definição moderna de democracia: Um homem, um suborno"

- "O exílio é o sonho de um regresso glorioso."

- "A perseguição religiosa nunca é uma questão moral, mas sempre uma questão de poder."

- "A habituação é a rendição."

- "É do proprio medo que devemos ter medo" (F. Roosevelt)

- "A viagem cria-nos."

- " O Santo Graal é uma quimera. O Santo Graal é a própria demanda pelo Santo Graal."

domingo, 5 de julho de 2009

Salman Rushdie: Abril de 1999: MÚSICA ROCK

"Há pouco tempo perguntei a Vaclav Havel se admirava de facto Lou Reed. Ele replicou que era impossivel sobrestimar a importância da música rock para a resistência checa durante os anos de trevas que passaram entre a Primavera de Praga e o colapso do regime comunista. Eu começava a saborear a imagem mental dos líderes do underground checo acertando o passo ao ritmo de Velvet Underground, quando Havel acrescentou com o ar mais sério do mundo: "Porque é que achas que falámos de Revolução de Veludo?"(...) Tratava-se de uma brincadeira que escondia uma verdade mais literal- para os entusiastas da música popular de uma certa classe de idade as ideias de rock e de revolução são ideias indissoluvelmente ligadas. "Vocês dizem que querem uma revolução" dizia John Lennon, provocando-nos. "Bem como sabem/ todos nós queremos mudar o mundo". E a verdade é que com o passar dos anos comecei a pensar que essa associação era um pouco mais simples que simples romantismo juvenil. Por isso, descobrir que uma verdadeira revolução fora inspirada pelos rugidos de sedução do rock era realmente comovente. Fazia-me sentir uma espécie de validação.( Salman soube que Havel não estava a brincar, ele dissera exactamente a mesma coisa anos mais tarde a Lou Reed).

Hoje que já ninguém parte guitarras opu protesta sobre coisa que se veja, hoje que o rock entrou na meia idade e se organizou em associações comerciais, hoje que os mais jovens ouvem rap, trance e hip-hop, e Bob Dylan e Aretha Franklin são convidados a cantar nas investiduras presidenciais, esquecem-se com facilidade as origens oposicionais da forma, a sua carga anti-establishment de outrora. Todavia, o espirito de revolta, rude e seguro de si do rock talvez seja uma das razões que fez com que o seu som estranho, simples e imparável tenha conquistado o mundo à cerca de meio século, atravessando todas as fronteiras e todas as barreiras da língua e da cultura, acabando por se tornar o terceiro fenómeno global da história, a seguir ás guerras mundiais. Era o som da libertação e falava, por isso, aos jovens espiritos livres de toda a parte- o que, como é evidente, as nossas mães não apreciavam por aí além.

(...)

O que parecia ser e sentíamos como liberdade parecia ao mundo adulto qualquer coisa como mau comportamento, e em certo sentido, os dois lados estavam certos. (...) A liberdade, essa antiga anarquia que bate o pé, é um valor mais alto e mais bravio que o bom comportamento,e , apesar de todo o seu espirito de revolta hirsuta da madrugada, representa um risco muito menor de desembocar em devastações graves que a obediência cega e o respeito hirto perante as convenções. É preferivel a destruição de umas tantas suites de hotel à destruição do mundo.

(...) Existe em nós qualquer coisa que se limita a desejar seguir a multidão. (...)Mas nós continuamos a querer ser conduzidos, a seguir senhores da guerra mesquinhos e ayatollahs assassinos e dirigentes nacionalistas brutais, ou a chupar no dedo escutando docilmente os Estados-infantário que sabem melhor do que nós o que nos convém. É por isso que os tiranos abundam, e que até mesmo aqueles de entre nós que fazem parte de países idealmente livres deixaram de ser, na sua maioria, espíritos rock n' roll.

A música de liberdade assusta as pessoas e desencadeia toda a espécie de mecanismos de defesa conservadores. (...)

Supunha-se que a queda dos regimes comunistas e a destruição da Cortina de Ferro e do Muro trariam uma nova era de liberdade. Em vez disso, o mundo que veio depois da guerra fria, ainda informe e cheio de possibilidades, fez com que muitos de nós ficássemos cheios de medo. Refugiámo-nos ao abrigo de cortinas de ferro mais pequenas, construímos paliçadas um pouco menos altas, fechámo-nos em definições mais estreitas, cada vez mais fanáticas, de nós próprios- definições religiosas, regionais, étnicas- e começámos a preparar-nos para a guerra.

Hoje, enquanto o ribombar de uma dessas guerras submerge a doçura do canto da melhor parte de nós próprios, descubro em mim a nostalgia do velho espírito de independência e de idealismo que outrora, propagado pela música, nos ajudou a acabar com outra guerra (no Vietname). Mas hoje a única música que ouvimos no ar é a de uma marcha fúnebre."

Salman Rushdie: Abril de 1999: MÚSICA ROCK

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Nietzsche

- Os erros dos grandes homens são dignos de elogios, pois são mais frutíferos do que a verdade dos pequenos.

- A moralidade é primordialmente um meio de preservar a comunidade e de evitar a sua destruição.

- O homem é uma ponte e não um fim.

- Compadecer-se é a prática do niilismo.

- O que um padre diz ser verdadeiro é na realidade falso.

- Que é que destrói mais rapidamente do que trabalhar, pensar, sentir, sem prazer?

- O Budismo não promete mas cumpre, o Cristianismo tudo promete e nada cumpre.

- Em Paulo personifica-se o ódio, o génio do ódio, na visão do ódio.

- O Cristão é apenas um judeu de confissão «mais liberal».

Turismo os caminhos

Se entre 2004 e 2007 o turismo global explodiu, com um crescimento médio de 3.6% ao ano, devo a variados factores, entre os mais importantes uma economia mundial estável, preços dos combustíveis baixos, desaparecimento do medo pós 11 de Setembro e crescimento das low-cost, o começo da crise no segundo semestre de 2008 provocou uma descida de 1% no crescimento turistico, com especial afectação nos países desenvolvidos e do BRIC. Isto deveu-se a uma maior dependência do turismo em maior escala por parte destas nações, que têm também um indice de turismo interno elevado, onde o impacto da crise foi menor.

Há casos que ilustram bem o tamanho da crise na indústria, a China que em 2004 tinha ultrapassado a Itália como o quarto país mais visitado do mundo, viu o seu número de visitantes baixar em 7% e as receitas do turismo descer 15%.

Em Espanha no mês de Fevereiro, as chegadas desceram 16%, em relação ao período homólogo do ano anterior.

O Conselho Mundial de Viagens e Turismo prevê para este ano uma contracção de 3.5% este ano na indústria, com a eliminação de 10 milhões de postos de trabalho até ano ínicio de 2011.

O Turismo é neste momento a maior indústri mundial envolvendo 7.6% dos empregos de todo o mundo e gerando 9.4% do rendimento global, e ainda podemos olhar para as suas ligações a outros sectores da economia, como a construcção, fábricas, petróleo, alimentar, etc...

Em plena crise e por factores específicos da própria indústria, alguns governos começaram a olhar para o turismo como o meio mais eficaz para relançar as suas economias, no periodo pós crise. Se a Islândia depois da bancarrota, tem no turismo a bandeira para reerguer a sua economia, em Espanha serão injectados 1300 milhões de dólares para a modernização das infra-estruturas turísticas espanholas, para combater destinos como a Turquia ou o Egipto que acabaram por se tornar mais apetecíveis devido à valorização do Euro. Nas Canárias, o Conselho Municipal do Turismo iniciou um conjunto de seminários para melhor preparar os trabalhadores da área, e sensibilizá-los para a importância que eles têm para o sucesso turistíco da região.

A Itália está decidida em apostar na publicidade dos seus destinos, os seus alvos são o Canadá, os EUA e a Europa, nos anúncios pode-se ouvir a música clássica e visualizar-se as paisagens e monumentos transalpinos. Pode parecer excessivo para um país forte no sector como a Itália? Então atente-mos no facto de em 2008 o turismo italiano ter registado uma quebra de 5%, perdas de 5200 milhões de dólares e 150 mil empregados.

Depois temos também as perdas das companhias aéreas, que prevêem uma contracção do tráfego de pessoas em 5.7%, com prejuízos que vão até os 4700 milhões de dólares. A esta situação acrescenta-se o facto de o preço do petróleo se achar numa grande instabilidade.

No sudeste asiático, países como o Vietname, Cambodja, Malásia e Tailândia decidiram baixar os preços dos vistos, numa estratégia conjunta com as companhias aéreas, hotéis e demais sítios turisticos, que também se comprumeteram a rever os preços em baixa.

Nas Caraíbas a Elite Islands Resorts, irá aceitar acções desvalorizadas como forma de pagamento.

Na Coreia do Sul a desvalorização do won ajudou a atrair mais 7% de turistas, incluindo mais 50% de turistas do Japão. A Coreia do Sul foi mesmo o país asiático que mais cresceu.

Na China as autoridades locais distribuíram cupões de viagens internas.

Na Grã-Bretanha haverá este ano, mais 5 milhões de turistas internos.

Visto isto será grande o desafio dos agentes turisticos nos próximos tempos, mas também está bem patente que o turismo poderá ser também a boia de salvação para alguns países. Isto porque ao contrário de certas indústrias onde os investimentos requerem um grande esforço financeiro, o Turismo requer menos investimento e a relação custo/proveito, será mais certa do que em noutros ramos.

Quanto aos países desenvolvidos, numa altura em que as familias dispõem de menos meios para viajar, pode ser no "vá para fora cá dentro", que se encontre o caminho mais proveitoso para o negócio. Convencer os turistas a visitar o próprio país, mostrando-lhes que poderam ter umas boas férias e por menos dinheiro. Transformar turistas externos em turistas internos.


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nietzsche

Decidi ler a biografia de Nietzsche e uma parte da sua obra acima de tudo porque adoro a sua obra: " O Anticristo", embora a sua restante obra não me diga muito.


Nietzsche além das questões filosóficas tinha também grande interesse por questões musicais, era um enorme admirador da música de Wagner sendo também um grande amigo seu, mais tarde iria chatear-se como Wagner e criticar muito o seu trabalho.


Devido a uma infância complicada não se consegue adaptar à sociedade, algo que lhe iria ser útil mais tarde para a sua obra.


Sendo um aluno brilhante, tinha como autores preferidos Platão, Shakespeare, Byron e Rosseau, no inicio da sua obra a sua maior influência é de Schopenhauer.


Nietzsche abre-se paras a filosofia através de Schopenhauer, fascinado com o seu inquebrável compromisso com a verdade. Nietzsche partilhava com Schopenhauer o pessimismo metafísico, segundo o qual a vontade está sempre em sofrimento devido à insatisfação dos desejos. Segundo o filósofo, a música enquanto arte global era uma das possibilidades de consolar este sofrimento humano.


Durante a sua adolescência Nietzsche começou a sentir problemas de saúde, problemas esses que se iria intensificar a até ao fim da sua vida, impedindo-o de trabalhar nos últimos anos da sua vida, Nietzsche tinha uma saúde débil e sofria de constantes dores de cabeça.


Niezsche foi professor de filologia em Basileia durante dez anos, altura em que frequentava a casa de Wagner que considerava ser um artista global cuja obra extinguiria a decadência que o espirito ocidental tinha sofrido desde o final da Grécia clássica.


A 2 de Maio de 1880 Nietzsche renúncia ao seu lugar de professor na universidade de Basileia, devido ás constantes enxaquecas que já não lhe permitiam leccionar.


Em 1889 finda a sua vida intelectual.


De 1894 a 1900 é sua irmã que toma conta dele, falecendo em 1900.


A sua irmã uma nacionalista anti-semita funda o Nietzsche- archiv, fazendo de Nietzsche o prova de uma nova e grande Alemanha. Esta manipulação da obra de Nietzsche iria culminar com a eleição do partido nazi em 1934 ao poder.


Nietzsche, Wagner e Schopenhauer foram artistas conotados ao partido Nazi, visto Hitler ser admirador destes artistas.


Compreende-se a fácil manipulação da obra de Nietzsche, que defendia que os homens deveriam ser governados por uma grande força ou um grande homem, ele defendia que havia homens fracos e que os mais fortes não deveriam preocupar-se com os outros, não devia haver qualquer tipo de misericórdia ou pena destes.


Quando Nietzsche falava no sentido moral, dizia que para que o individuo molde o seu comportamento ás necessidades da sociedade, pode e deve ser utilizada a coacção, por vezes a voz autoritária da comunidade que ganha a forma de consciência.


Em 1872 pública a Origem da Tragédia, que revela o contraste entre a cultura grega anterior e posterior a Sócrates, menosprezando a última, manifestando que a cultura alemão contemporânea se assemelhava à cultura grega posterior a Sócrates, só podendo ser salva pelo espírito da música de Wagner.


A obra de Nietzsche é riquissima, no entanto passarei à parte que realmente me interessa, o Anticristo.


Nietzsche diz-nos que ao contrário do que se crê, a humanidade não representa uma evolução para algo de melhor, o progresso é uma ideia moderna e falsa, o homem de hoje não vale mais que o homem do renascimento. No entanto em diferentes locais manifesta-se um tipo superior de homem, espécie que em relação à maioria é uma espécie de ultra-homem.


Para Nietzsche o Cristianismo travou uma guerra de morte contra o tipo de homem superior, baniu todos os instintos fundamentais de tal tipo, e desses destilou o mal e o pernicioso, criou do homem forte uma imagem de homem abominável. O Cristianismo tomou partido de tudo o que é fraco, baixo e falhado, ensinou o desprezo pelos valores da intelectualidade.

Nietzsche deixa-nos a questão: Que haveria num Deus que não conhecesse a cólera, a vingança, o castigo, que não ignorasse o gosto da vitória e da destruição? Quando um povo entra em colapso, quando sente a sua fé no futuro fugir, quando sente a liberdade esvair-se, então há que mudar o seu Deus. Torna-se então o Deus sonso, humilde. aconselha a paz da alma e até o amor para com os amigos e inimigos. Moraliza constantemente, faz-se o Deus de toda a gente, chega a tornar-se cosmopolita... Outrora simbolizava a força do povo e a sua sede de poder e afirmação, agora é simplesmente o Deus bom de todos os homens... Vê-se que não os deuses não têm alternativa: ou são a vontade do poder, sendo assim os deuses de um povo, ou são a impotência do poder, e então tornam-se forçosamente bons...

Os judeus são o povo mais singular da História Universal e porquê? Simplesmente porque postos diante da condição do ser ou não ser, eles escolhem o SER A QUALQUER PREÇO, um preço que foi a falsificação de toda a natureza, de toda a naturalidade, de toda a realidade, de todo o mundo interior e exterior. Delimitaram-se a si mesmos contra todas as condições sob as quais até então podia viver, perverteram a religião, o culto, a moral, a história e a psicologia e fizeram deles a contradição dos seus valores naturais. A Igreja Cristã limitou-se a copiar este fenómeno em proporções incalculáveis. Os Judeus falsearam de tal modo a história e a humanidade que ainda hoje um cristão se pode sentir anti-judeu, sem se compreender a si mesmo como a última consequência do judaísmo.

No Anticristo a autor tenta destrinçar algumas das mensagens de Cristo, ou se quisermos dar-nos a sua visão da mensagem de Cristo. Sobre a "Boa Nova", o Nietzsche escreve que a vida eterna, não é prometida, está aqui em nós: como vida no amor, no amor sem retraimento e exclusão, sem distância. Cada um é filho de Deus. " O Reino de Deus está em vós".

Falta em toda a "psicologia" do Evangelho o conceito de culpa e de castigo, igualmente falta o conceito de recompensa. O «pecado», toda a relação de distância entre o homem e Deus, é suprimido. Ai está novamente a "Boa Nova". A beatude não está prometida, não se encontra vinculada ás condições que a Igreja nos instiga, ela é a única realidade.

Podemos então dizer que toda a doutrina eclesiástica judaica foi negada na "Boa Nova".

O "Reino dos Céus" não é algo que se espere, ou que se encontre, não vá amanhã ou dentro de mil anos- é uma experiência dentro de um coração, está em toda a parte e não está lado nenhum...

Quanto a Jesus, Nietzsche segue passando-nos a mensagem que a sua morte não foi para redimir os nossos pecados, a sua morte foi igual à sua vida, ele morreu como ensinara, Jesus apenas nos quis ensinar como deviamos viver. A Prática foi o maior bem que nos deixou: a sua atitude perante os seus juízes, perante os que o ultrajaram, o seu comportamento na cruz, é esta a sua verdadeira lição.

As palavras proferidas ao ladrão na cruz resumem o Evangelho: "- Este é um verdadeiro homem de Deus - diz o ladrão.", " Se sentes isso então estás no paraíso, és também um filho de Deus - responde Jesus.". Não se defender, não se encolerizar...mas também não resistir ao mal- amá-lo...

Após a morte de Jesus, os seus díscipulos ao contrário dos ensinamentos do mestre, subjugaram-se a palavras, como ressentimento, vingança, juízo... O que deveria ter sido o inicio do Evangelho, descambou num sentimento contrário aos ensinamentos de Jesus. Para os seus seguidores era impossível a causa terminar com a morte do Redentor, e a promessa da vinda do "Reino dos Céus", para vingar os assassinos do Mestre e os seus seguidores. É então que o "Reino dos Céus" passa a ser não a realidade, algo ao alcance de todos nós, mas uma promessa, um sonho, um sonho de sangue, de vingança.

Mas os estragos na mensagem do nazareno não ficariam por aqui, na sua ânsia de encontrarem um sentido para a morte de Jesus os seus discipulos questionavam-se: Como podia Deus admitir tal situação? E então acaba-se com o Evangelho: ele morreu na cruz por nós, pelos nossos pecados. Suprime-se assim a "Boa Nova" de Jesus e o seu "Reino dos Céus".

É então que surge o ódio de Nietzsche por Paulo. Paulo diz: " Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé".

Paulo era Nietzsche o contrário do alegre mensageiro, o génio do ódio. Paulo sacrifica toda a vida de Jesus, a sua vida e doutrina. Para Paulo não foi Cristo importante, mas sim a cruz. Ele inventou uma história mirambulante de ressurreição, uma segunda vinda do Messias, o castigo para os pecadores. A sua necessidade era o poder, com Paulo o padre quis apenas o poder, utilizou conceitos , doutrinas, simbolos, por meio dos quais se tiranizaram as multidões e se formam os rebanhos.

Nietzsche afirma-nos que a única coisa que Maomé foi buscar ao Cristianismo, foi esta invenção de Paulo, o seu meio de tirania sacerdotal: a fé na imortalidade, ou seja, a doutrina do juízo...

Transcreverei um excerto do Anticristo, onde se compreende o porquê do nazismo ter ido beber a Nietzsche: "Conceder a imortalidade a cada Paulo e Pedro foi até agora o maior e mais pérfido ataque à humanidade nobre. (...). Hoje, ninguém mais tem coragem do privilégios, dos direitos de dominação, do sentimento de reverência por si e pelos seus pares... (...) O aristocracismo foi minado, na sua dimensão mais subterrânea, pela mentira da igualdade das almas; e se a fá no «privilégio da maioria» constitui e constituirá revoluções, é o Cristianismo, são os juízos de valor cristãos, que traduzem toda a revolução simplesmente em sangue e em crime! O Cristianismo é uma insurreição de tudo o que rasteja pelo chão contra o que tem sublimidade: o Evangelho dos pequenos empequenece...

Querem outra: " O cristão esta ultima ratio da mentira, é uma vez mais o judeu- três vezes ele próprio..."

Nieztsche dá-nos algumas passagens, algo "evangélicas" da bíblia, segundo Nietzsche, palavras que foram colocadas na boca de Jesus: "Não julgues", dizem eles. Mas mandam para o inferno tudo o que se encontra no seu caminho.

" E se alguns vos não rceberem e ouvirem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo, Sodoma e Gomorra serão no dia do juízo tratadas com menos rigor que essa cidade." Muito evangélico...

"Em verdade vos digo: há alguns aqui presentes que não morrerão antes de ver chegar o Reino dos Céus no seu poder." Será mesmo?

"Não julgueís para não ser julgado. Com a medida com que medirdes, vos será medido." Um juíz pouco integro...

"Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo". Todas as coisas, a saber: alimentos, vestuário, todas as necessidades da vida.

Passagem de Paulo: " Acaso não sabeis que os santos julgarão o mundo? E se é por vós que o mundo vai ser julgado, seríeis então ineptos para julgar as coisas mínimas?" Parece um discurso de um louco internado... mas prossegue:" Não sabeis que julgaremos os anjos? Quanto mais os bens temporais".

Enquanto o padre surgir como tipo superior de homem, esse negador, caluniador e envenenador da vida por profissão, não haverá resposta para a pergunta: o que é a verdade? Enquanto assim for a verdade estará virada de cabeça por baixo. O que um padre afirma verdadeiro, deverá ser certamente falso.

Querem saber o que arruina uma divindade: Quando ela se torna «coisa em si».

Isto são apenas alguns pensamentos de Nietzsche e do seu anticristo, aconselho quem questiona a doutrina da Igreja Católica a ler.